O gerenciamento da qualidade em uma job-shop do setor aeronautico: um estudo de caso.

Author:Machado, Marcio Cardoso
Position:ADMINISTRACI
 
FREE EXCERPT

Introdução

A questão da qualidade teta se mostrado assunto de interesse era todas as áreas de operações. Na produção de bens ou serviços, a demanda por literaturas a respeito do assunto teta propiciado o surgimento de várias teorías, que, por vezes, não representara algo realmente inovador, mas, sita, evoluções das teorias existentes. É neste contexto que aparece a qualidade aeronáutica.

A preocupação com a qualidade na indústria aeronáutica segue modelos cuja origem coincide com a própria origem do avião. Na evolução da aviação, rapidamente descobriu-se que a qualidade, em todos os itens que compõem a aeronave, era fator primeiro para um vôo seguro e confiável. Diferentemente do que acontecia com outros tipos de projetos mecânicos, o avião não poderia falhar era nenhuma de suas partes, já que um acidente aéreo seria, certamente, fatal. Seja na parte estrutural, seja na parte mecânica, o avião precisaría ter uma confiabilidade acima dos padrões normalmente exigidos, visto que vidas humanas estariam expostas a uma situação de risco muito grande.

A indústria aeronáutica evoluiu, mas está longe de ser considera uma indústria de produção em massa. Ela ainda possui traços multo fortes do trabalho artesanal, embora a qualidade exigida, era um todo, seja multo alta. Mesclando equipamentos eletrônicos de navegação de última geração e elementos estruturais, multas vezes ajustados manualmente pelo próprio operário responsável pela execução da montagem, o avião é considerado uma máquina de alta tecnologia. Juran & Gryna (1993: pp. 254-255) esclarecem que a indústria aeronáutica enquadra-se na categoria Job-Shop (2) (loja de serviços) do tipo I, ou seja, responsável pela fabricação de equipamentos grandes e complexos; com percentagem de serviços repetidos de moderada a alta: Ainda segundo Juran & Gryna, as fábricas do tipo job-shop e as fabricas de produção em massa diferem consideravelmente, principalmente no que diz respeito aos problemas de criação, controle e aperfeiçoamento da qualidade.

Partindo do princípio de que, por vezes, os operadores das aeronaves precisam ter em mãos um suprimento mínimo de spare parts (peças sobressalentes), e que, por motivos alfandegários e de razão financeira, alguns deles fazem uso do mercado local para aquisição desses-desses componentes, é natural o surgimento de empresas especializadas no projeto e confecção de itens aeronáuticos.

Este trabalho procurou descrever como uma empresa do ramo aeronáutico pode garantir a qualidade dos itens por ela manufaturados, em face de uma enorme variabilidade de produtos, muitas vezes caracterizados por lotes pequenos de produção. E de que forma essas empresas conseguem atingir os padrões de exigências estabelecidos pelas normas aeronáuticas. Entenda-se como itens aeronáuticos, para efeito desta pesquisa, qualquer item manufaturado, através de usinagem ou conformação de chapas, que comporão a estrutura da aeronave.

As especificações para a manufatura de peças aeronáuticas são estabelecidas dentro dos mais rigorosos padrões de material, tipo de acabamento, dimensões e tratamentos protetores. Essas exigencias demandam um grande esforço por parte das empresas, não só no sentido de manter-se fiéis a elas, como também no sentido de criar processos administrativos que possibilitem a consecução desses-desses objetivos.

Neste ponto, a qualidade deixa de ser uma meta isolada a ser atingida para se tornar parte de um processo, onde o gerenciamento da produção assume papel preponderante. Hegedus (2000: p. 19), expõe que a importância do atrelamento de um sistema de manufatura ao atendimento estrito da especificações é um do conceitos básicos que norteiam a implantação e certificação de sistemas de qualidade, portanto, não há por que tentar mudar a visão que a gerência teta nesse sentido. Isso não significa que o gerente da função manufatura deva ficar limitado a essa visão. Precisa ampliá-la, e aí reside a importância das informações rindas do consumidor e sua incorporação ao projeto e ao sistema de manufatura, através de novos enfoques e posturas, entre as quais se destacam a velocidade e a flexibilidade.

No período da garantia da qualidade, anos 50, a qualidade passou de uma disciplina restrita e baseada na produção fabril para uma disciplina com implicações mais amplas para o gerenciamento. A prevenção de problemas continuou sendo seu objetivo fundamental, mas os instrumentos da profissão se expandiram para muito além da estatística. (Garvin, 1992: p. 13).

Assim, a qualidade deixou de ser abordada somente como uma matéria essencialmente técnica e passou a ser observada através de quatro elementos distintos: quantificação dos custos da qualidade, controle total da qualidade, engenharia de confiabilidade e defeito zero.

A produção jobbing (aquela praticada pelas job-shops), por suas características, exige do sistema de produção uma visão muito mais administrativa e técnica do que estatística. Os aspectos particulares desse-desse tipo de produção serão tratados em capítulo específico desse trabalho.

As empresas da indústria aeronáutica encontram-se em duas situações: aquelas de grande portc que trabalham com produção era série e aquelas que, normalmente, trabalham com pequenos lotes e ao mesmo tempo com uma variabilidade muito grande de itens, utilizando-se, portanto, de um sistema de produção jobbing. Em ambos os casos, a qualidade do produto deve ser a mesma.

As características da manufatura de itens aeronáuticos podem ser definidas conforme a tabela 1:

Em face dessas características, a garantía da qualidade dos produtos em cada um dos sistemas deve ser tratada de forma diferente. No caso da job-shop, a qualidade envolve um controle efetivo do processo, alto grau de especialização dos funcionários, grande investimento em tecnologia e, era especial, um tratamento diferenciado na comunicação. Segundo Juran & Gryna (1993: p. 261), em conseqü4ncia do grande volume de comunicação gerado em uma job-shop, o problema do controle da qualidade é uma questão na qualidade da comunicação tanto quanto um problema de controle convencional da qualidade do processo e do produto.

Os sistemas voltados para a produção de itens aeronáuticos dependem, normalmente, de alto aparato tecnológico, treinamento especializado e matéria-prima especial. Segundo Dreikorn (1995: p. 191), durante o processo de manufatura e inspeção de produtos aeronáuticos, as indústrias desse-desse setor utilizam instrumentos, equipamentos e ferramentas especiais com o intuito de garantir a conformidade com as especificações.

Revisão da literatura

Qualidade: História e importância

A preocupação com a garantia da qualidade sempre foi, através da história, um aspecto de grande importância nas operações de produção. As paredes pintadas pelos egípcios, cerca de 1450 anos a.C., mostram evidências da atividade de inspeção e aferição. As pedras nas pirâmides eram cortadas e montadas com tanta precisão que, ainda hoje, é impossível colocar uma fina lâmina de faca entre os blocos. O sucesso dos egípcios se deveu à uniformidade dos métodos e procedimentos, e aos precisos dispositivos de medição. (Evans, 1993: p. 3).

Como conceito, conhecemos a qualidade há milênios. Mas sua forma gerencial é algo recente. O que antes era voltado para uso exclusivo dos departamentos de produção e operações, hoje engloba as mais diversas funções. Contudo, essa mudança não ocorreu em um momento estanque na história da qualidade.

No final do século XIX e início do século XX, com o advento da produção em massa, os processos de produção passaram a ser mais complexos. Isso exigiu trabalhadores mais treinados e que pudessem obter, dentro das linhas de produção, a maior eficiência possível. Como resultado, a qualidade dos outputs do processo de manufatura tornou-se muito mais variável e muito menos dependente da habilidade exclusiva de um único trabalhador.

O controle do processo na produgao é o passo seguinte na história da qualidade. O processo é normalmente considerado um adicionador de valor aos inputs (insumos do sistema). Os processos de manufatura, por exemplo, são desenhados de forma que o valor dos ouputs (produtos, bens), para os clientes potenciais, supere o valor dos inputs.

No ano de 1913, W. A. Shewhart publicou uma obra que seria considerada um marco no movimento da qualidade: Economic Control of Quality Manufactured Product. Ela conferiu, pela primeira vez, um caráter científico à disciplina.

Alguns conceitos e definições

Segundo Evans (1993: p. 9), definições da terminologia da qualidade foram padronizadas em 1978 pelo dmerican National Standards Institute (ANSI) e pela American Society for...

To continue reading

FREE SIGN UP